Congados, calunga, candombe (Kiddy, 2000)

12 10 2007

Gostei do artigo da Elizabeth Kiddy sobre congados “Congados, Calunga, Candombe: Our Lady of the Rosary in Minas Gerais, Brazil”.

O artigo é sobre a festa dos congadeiros – centradas na figura de Nossa Senhora do Rosário – que resultou da fricção entre as tradições Portuguesa e Africana.

Por que um numero tão grande de escravos e negros/cafuzos libertos optaram por juntar-se à uma instituição de origem européia e por que uma boa parte da população afro-brasileira de Minas continua devota até hoje?

Gostei do modo como ela, ao tentar responder a essa pergunta, critica os historiadores que insistem na dicotomia resistência/acomodação pra explicar o que acontecia nas irmandades. Ou seja, se os negros se juntavam às irmandades é porque ou eram acomodados ou porque buscavam resistir à opressão dos brancos.

Não é bem assim. Primeiro, nossa noção de escravidão vem embutida de uma concepção moderna e anacrônica. Como conseqüência, um não-escravo não era necessariamente livre. A transição do cativeiro para a liberdade tem que ser vista como um processo e não um evento.

Parêntese meu: quando não consegue aplicar esse discurso de opressão/resistência a um fenômeno cultural, estudiosos tendem a ignorar ou não atribuir muito valor a certas tradições. Isso ressoa com o que disse Martin (2002) no livro sobre pentecostalismo.

A marginalidade a que estava relegado o escravo africano ao chegar ao Brasil, é descrita por ela como “morte social”. E participação nas irmandades de Nossa Senhora do Rosário representava um movimento em direção à civilidade, que dava ao indivíduo um senso de pertencimento.

Sobre características da sociedade africana, ela sugere que religião e sociedade eram inseparáveis. Outro fator de atração das irmandandes.

Achei curiosíssimo que o fundador da primeira irmandade do rosário em Colônia da Alemanha foi Jacob Sprenger, um inquisidor e caçador de bruxas, que em 1475 o fez – olha só – com o intuito de combater práticas pagãs entre a população.

Sobre a reação dos residentes da África central à chegada dos europeus no século XV, ela cita Wyatt MacGaffey:

“When the first Portuguese arrived in Kongo in 1485 they exhibited the principal characteristics of the dead: they were white in color, spoke an unintelligible language, and possessed a technology superior even to that of the local priestly guild of smiths . . . [they] were considered visitors from the land of the dead.


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One response

26 10 2007
lidia

gostei muito dessa reportagen

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