reclamões

27 10 2007

Paulo Leminski:
A última flor do Lácio é um desastre.
Embora sejamos 140 milhões a falá-la (Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Macau, Timor), o idioma de Camões continua sendo o túmulo do pensamento.
Em termos planetários, escrever em português e ficar calado é mais ou menos a mesma coisa.
Vejam só o que acontece com nosso maior prosador. Guimarães Rosa. Traduzidas para o francês, as obras de Rosa (“Grande Sertão”, inclusive) perdem toda a sua aspereza jagunça, suas irregularidades, suas invenções. Rosa parece apenas um bangue-bangue.
Agora quem quer aprender português?
Nem os intelectuais e escritores do “boom” literário latino-americano recente o conhecem.
A língua portuguesa é um desterro, um exílio, um confinamento.
Talvez não tenhamos valores literários suficientemente fortes para forçar nos estrangeiros o desejo ou a necessidade de aprender o português.
Que autores, daqui e além mar, teriam essa força?
Camões? Fernando Pessoa? Machado? Drumond? Oswald? Cabral? Rosa? A poesia concreta?
Não sei.
Sei que Pound aprendeu português nos anos 20 para ler Os Lusíadas, que ele considerava “full of sound of fury”.
E dizem que Erasmo de Rotterdam aprendeu português para ler Gil Vicente no original.
A palavra mais incrível criada na língua portuguesa em Portugal foi “saudade”.
A mais incrível palavra criada em português no Brasil foi “jeito”.
Nós, brasileiros, temos que dar um jeito de tornar a língua portuguesa mais forte, isto é, capaz de assimilar ataques de corsários ou invasões estrangeiras.
Embora a língua portuguesa seja o idioma dos nossos ex-dominadores e colonizadores, é dela que é feita a substância da nossa alma.

James Joyce:
Writing in English is the most ingenious torture ever devised for sins committed in previous lives. The English reading public explains the reason why.

Gustave Flaubert:
Language is a cracked kettle on which we beat out tunes for bears to dance to, while all the time we long to move the stars to pity.

William James:
Language is the most imperfect and expensive means yet discovered for communicating thought.

Eddy Peters:
Not only does the English Language borrow words from other languages, it sometimes chases them down dark alleys, hits them over the head, and goes through their pockets.

E. B. White:
English usage is sometimes more than mere taste, judgment and education – sometimes it’s sheer luck, like getting across the street.

Aldous Huxley:
Every individual is at once the beneficiary and the victim of the linguistic tradition into which he has been born – the beneficiary inasmuch as language gives access to the accumulated records of other people’s experience, the victim in so far as it confirms him in the belief that reduced awareness is the only awareness and as it bedevils his sense of reality, so that he is all too apt to take his concepts for data, his words for actual things.


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