um tratado do século XVIII sobre a arte de escrever

3 11 2007

Fã de velhacarias que sou, acabei descobrindo esse tratado em português de 1722 sobre a arte de escrever, que a Biblioteca Nacional de Portugal digitalizou e oferece para você baixar em várias versões.

Para baixar o manuscrito todo em pdf, clique aqui, e fotos individuais das páginas estão aqui.

O tratado Nova Escola para aprender a ler, escrever, e contar, de Manuel de Andrade de Figueiredo discute toda a mecânica da coisa: por exemplo, que tipo de papel ou pergaminho escolher,

O melhor pergaminho é o de bezerro resprensado; há outros de peles de carneiros: destes os melhores são os brancos, lisos, sem cal, e manhas; estas se vêem pondo-o contra a luz, que como pela maior parte são de gordura, fazem saltar a tinta depois de seca, e quando a necessidade obrigue a escrever sobre as tais manchas, para que não salte a tinta, se esfregam com dente de alho, deixando-o primeiro secar, para se escrever; e tendo cal, se lhe tira passentos, o que se alcança escrevendo-se neles.

a preparação do tinteiro e da tinta…

A tinta se faz por dois modos, uma de água, e outra de vinho: a forma delas é a seguinte. Em uma canada de água de chuva, ou cisterna, se lançarão quatro onças de galhas finas das mais pequenas, pesadas, crespas, e denegridas, feitas em três, ou quatro pedaços cada uma, quatro onças de caparrosa da mais verde feita em pó, e se lhe ajuntarem uma casca de romã vermelha feita em bocadinhos, ajudará a fazer bom preto, uma onça de goma arábia, outra de açúcar cândi, ou do branco, a que chamam batido. Tudo estará de infusão em vasilha vidrada, que não tenha fervido, por tempo de doze dias, em os quais será mexida de manhã, e tarde com pau de figueira, e no fim deles, se tirará a tinta coada por pano ralo, e nas fezes [restos] que ficarem, se lancará mia canada de água, por outros tantos dias, que mexida na forma sobredita, se tirará outra tinta tão boa como a primeira. Recolhida a tinta em vidro se lhe deitará três, ou quatro oitavas de pedra ume virgem em pó.

Ele também fala da escolha, preparação e corte das penas; de como segurá-las; da caligrafia, descrevendo os diferentes tipos de letras e outros detalhes.

Mas o mais legal mesmo são as ilustrações, que começam na página 56

Olha só estes exemplos de caligrafia:

sa-5071-a_0094_19_t08-g-r0072.jpg

Este:

sa-5071-a_0095_20_t08-g-r0072.jpg

E esta:

sa-5071-a_0096_21_t08-g-r0072.jpg

Percebeu que parece ser tudo um traço só?

Então ele passa a tratar de ortografia e pontuação; e termina tratando de aritmética e números romanos.

E a gente que achava que a vida era dura com a máquina de escrever.


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