Pevear e a nova tradução de “Guerra e Paz”

4 11 2007

Uma nova tradução de Guerra e Paz foi lançada recentemente e o tradutor Richard Pevear, que trabalhou em conjunto com Larissa Volokhonsky nessa última versão, escreveu sobre a experiência neste texto do New York Times chamado “Tolstoy’s Transparent Sounds”.

Uma experiência de trabalho coletivo em tradução literária já chama a atenção por si só:

my collaboration with Larissa is so close that the two of us make up one translator who has the luck to be a native speaker of two languages. We work separately at first. Larissa produces a complete draft, following the original almost word by word, with many marginal comments and observations. From that, plus the original Russian, I make my own complete draft. Then we work closely together to arrive at a third draft, on which we make our “final” revisions.

Achei interessante também o elemento de sorte que acaba entrando em cada grande tradução (quando ele fala sobre o dilema de escolher entre dois termos de culinária).

Finalmente, ele fala das dificuldades e das características do texto, mostrando uma perspectiva que não está disponível para nós que não falamos russo (sempre quis aprender).

Tolstoy’s prose is a rich, fluid, multivoiced artistic medium. In “War and Peace,” there is a war between the French and Russian languages that mirrors the war between the French and Russian Armies. His play with French and with the Petersburg aristocracy’s Gallicized Russian is a major element of social satire in the novel’s composition, allowing him the sort of linguistic infiltrations later found in Joyce and Nabokov. This adds a dimension to the novel that English readers don’t suspect is there, because previous English translations have eliminated it. But this precocious modernism is never wordplay for its own sake. It is always moved by passion.

Eu sinceramente não consigo ver como um leitor da tradução em inglês poderia perceber essa guerra entre as duas línguas. Por melhor que seja a tradução. Mas fiquei curiosa e já sei que quando for ler esse livro, vai ser essa a tradução.

Enfim, a escolha da tradução de um clássico – se há opções – é crucial. Uma tradução pode mesmo arruinar a experiência toda. E eu estava pensando nas opções em português e na data da última tradução desse livro do Tolstoy. Não tenho a menor idéia de quem traduziu e como ficou. Mas tenho preferido as versões mais novas de certas traduções às versões antigas em português. Fiz isso com Dom Quixote, que preferi ler em inglês mesmo. E estou gostando.

Ah, esse artigo do Pevear inaugura uma série de discussões no NYT sobre essa obra. Está tudo lá no blog do site. Os artigos são escritos por autores e críticos e a conversa está muito boa. Eles têm falado bastante sobre a tradução. Prometo voltar ao assunto.


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