Lendo para obter coragem

5 11 2007

É agradável – e raro – encontrar um autor que sabe o seu lugar no mundo. Alguém que valoriza seu ofício sem se colocar acima de todas as outras ocupações. E esse trecho do final do livro da Francine Prose “Reading Like a Writer” me mostra exatamente essa atitude. Mas sem deixar de ressaltar a coragem que requer o ato de escrever. Minha tradução vem logo abaixo.

When we think about how many terrifying things people are called on to do every day as they fight fires, defend their rights, perform brain surgery, give birth, drive on the freeway, and wash skycraper windows, it seems frivolous, self-indulgent, and self-important to talk about writing as an act that requires courage. What could be safer than sitting at your desk, lightly tapping a few keys, pushing your chair back, and pausing to see what marvelous tidbits of art your brain has brought forth to amuse you?

And yet most people who have tried to write have experienced not only the need for bravery but a failure of nerve as the real or imagined consequences, faults and humiliations, exposures and inadequacies dance before their eyes and across the empty screen or page. The fear of writing badly, of revealing something you would rather keep hidden, of losing the good opinion of the world, of violating your own high standards, or of discovering something about yourself that you would just as soon not know – those are just a few of the phantoms scary enough to make the writer wonder if there might be a job available washing skyscraper windows.

All of which brings up yet another reason to read. Literature is an endless source of courage and confirmation. The reader and beginning writer can count on being heartened by all the brave and original works that have been written without the slightest regard for how strange or risky they were, or for what the writer’s mother might have thought when she read them.

“Quando pensamos nas várias coisas apavorantes que as pessoas são intimadas a fazer todos os dias, quando combatem incêndios, defendem seus direitos, realizam cirurgias no cérebro, dão à luz, dirigem numa auto-estrada, lavam janelas de arranha-céus, falar em escrever como um ato que exige coragem parece frívolo, indulgente consigo mesmo e presunçoso. O que poderia ser mais seguro que sentar à sua mesa, batendo de leve em algumas teclas, empurrando a cadeira para trás e parando de vez em quando para ver as maravilhosas delícias artísticas que seu cérebro produziu para entretê-lo?

E, no entanto, a maioria das pessoas que já tentou escrever, sentiu não apenas a necessidade de coragem, mas também uma falta de vigor à medida que dançam, diante dos seus olhos e na página ou tela em branco, as conseqüências reais ou imaginadas, os defeitos e humilhações, a exposição e a inadequação. O medo de escrever mal, de revelar algo que se preferiria manter escondido, de perder o conceito das pessoas, de violar seus próprios critérios ou de descobrir algo a seu respeito que você preferia não saber tão cedo – estes são apenas alguns dos fantasmas que assustam o suficiente para fazer com que o escritor se pergunte se não existe uma vaga para o trabalho de limpar janelas de arranha-céus.

Tudo isso gera uma outra razão para se ler. Literatura é uma fonte infindável de coragem e confirmação. O leitor e escritor iniciante pode se assegurar que será encorajado por todos aquelas obras destemidas e originais que foram escritas sem a menor consideração ao fato de serem estranhas e arriscadas ou ao que a mãe do autor pensaria quando as lesse.”

(Francine Prose, Reading Like a Writer)


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