uma noite com Alex Ross

6 11 2007

Ontem quem veio falar aqui no colóquio do departamento foi Alex Ross, o crítico de música do New Yorker. Simpático, um pouco tímido (ou intimidado pelo público), não tão prolixo quanto na sua coluna no New Yorker, veio divulgar seu livro The Rest is Noise.

Eu pensava que não havia mais espaço pra outro livro sobre a música do século XX. Principalmente pra um livro escrito por um jornalista que abriu a noite dizendo “this is not a scholarly work”. Claro, ele estava cercado de especialistas. Definiu o livro como uma série de histórias na forma de ensaios sobre a música do século XX.

Eu não li o livro e nem pretendo ler. Nada contra, mas está bem abaixo na minha lista quilométrica; há outros livros gritando mais alto “me leia, me leia”.

Enfim, foi interessante. O anfiteatro encheu (coisa tão rara para os nossos encontros usuais). O pessoal da escola pegou leve. Só o Berthold fez uma pergunta que pedia a reação dele aos comentários de Richard Taruskin sobre o pessoal que tem escrito sobre música clássica (eu comentei o artigo do Taruskin nesse post).

O Alex disse que a linguagem do livro segue a mesma linha da coluna no New Yorker: ele procura equilibrar o texto tendo em mente um leitor aficionado e um que não faz idéia do que seja essa música. E eu fiquei me perguntando se isso é realmente possível. Acho que não é, não. O que acaba acontecendo é que o crítico escreve pra ele mesmo e o leitor se diverte em ler monólogos (ele mesmo disse que há pessoas que o procuram pra dizer que não têm a menor idéia do que ele está falando, mas adoram lê-lo mesmo assim).

Mas nada como ser uma celebridade (respondendo ao Andrew Patner meio que entrevistador da noite, ele disse que o blog dele recebe 4000 visitas diárias). Ninguém está interessado nessas picuinhas: vi um monte de gente com o livro embaixo do braço (e isso porque estava sendo oferecido a 30 dólares – na Amazon está 17).

Como visibilidade abre portas no mercado editorial! Muita gente mais capaz que Alex poderia escrever sobre o assunto com mais competência, mas jamais teria condições de atingir esses números.

Mas sempre vejo com boa vontade quaisquer aproximações civilizadas entre jornalismo e academia. E foi mais ou menos o que aconteceu ontem.


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