there’s always another pig

9 11 2007

Já te aconteceu de você ter lido e até analisado exaustivamente um livro e, quando algum tempo depois, alguém mencionou o dito cujo numa conversa, você teve um branco horrível e não conseguiu dizer nada que não fosse o óbvio que todo mundo já sabe sobre o texto?

E na sua casa o livro está lá todo rabiscado com seus comentários e você ainda tem aquele arquivo cheio anotações sobre suas impressões. Mas nada disso veio à sua mente na hora.

Já perdi a conta do número de vezes que isto aconteceu comigo aqui na escola. E numa discussão na aula você passa por alguém que não leu o texto.

Por isso foi bom ler o artigo de Scott McLemee sobre o assunto; e pelos comentários ao texto dele, deu pra ver que muita gente passa por isso.

Pra ele, falar sobre um livro é, entre outras coisas, uma habilidade social.

It is subject to whatever laws of reputation-economy have inspired Bayard [falei do livro dele aqui nesse post] and Lodge. But drawing a total blank on something you know you’ve read involves a different kind of transaction — one that is intra- rather than inter-personal.

Já a leitura do livro envolve outras coisas:

It may be that there are different segments of the self involved in reading. There is one part that actually puts in the time with the book (article, Web site, etc.) and brings together however much power of concentration you have available at a given moment. A different part of you handles the “take away”: whatever substance you extracted from a text. Still another internal functionary is charged with integrating that material into larger patterns of interest — digesting, rather than chewing, per Francis Bacon.

Finally some other aspect of the self manages all of the rest. It deals with the outside world as well. It is the part that engages in conversation. Also, it knows where to look to find your glasses.

It would be good to think that all of you are on the same team. But sometimes, no, you clearly aren’t. Sometimes there is a communication breakdown.

E quem são as principais vítimas desse tipo de branco?

My hunch is that this is especially likely to happen to people who do a great deal of reading that is task-directed rather than autotelic.

Em outras palavras, graduate students. Mas não só:

It is probably also influenced by just how much material gets processed via this division of labor. People who consume two or three books a month, for example, might be less susceptible to moments of total overload than those who read two or three a week.

E o conselho dele é aprender a escolher qual material você precisa estudar exaustivamente. Por algumas coisas, não compensa se matar.

Some situations require learning to handle texts like a meat packer carving up pigs on an assembly line. Certain skills are involved, and they are good skills to have. You can learn to wield the blade with some precision without losing a finger. But efficiency counts, because there’s always another pig coming at you.

Sempre tem. O problema, Scott, é que os porcos da escola (ou da vida) não são todos iguais como no exemplo que você citou. Os textos são bem diferentes uns dos outros. Alguns são pura perda de tempo. E eu acho mesmo que uma das principais funções da escola é ensinar a escolher com quais “porcos” vale a pena gastar mais tempo.


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