livros X computadores

14 11 2007

Allan Wall se embanana todo na sua defesa do livro e crítica ao uso de informação em meios eletrônicos. Veja aqui o artigo.

Concordo que livros não vão desaparecer tão cedo. Besteira afirmar o contrário. “Gizmo Gus’s”, como ele diz, estão sendo melhorados. É por isso que eles mudam o tempo todo. Outra coisa: assim como eu posso dizer que, hoje, livros são ainda imprescindíveis, não posso afirmar nada com certeza sobre o amanhã. Ninguém pode. Nem você.

(…) representative of that new and potent ideology which claims that it is not the internalisation of knowledge that should be the aim of education, simply the acquisition of techniques for effectively accessing it. In other words, the skills do not have to be ‘learnt’, simply located, downloaded, then stored for future use.

Ideologia? Você está juntando no mesmo saco pessoas que gostam desses gadjets e aqueles que – diz você – não privilegiam a “internalização do conhecimento”. São coisas distintas e eu posso, sim, ser fã de tecnologia e ainda assim “internalizar conhecimento”.

Learning is participatory, which is why in any text-based subject, reading is usually more educative than watching a DVD.

E o que você entende por “text-based subject”? História? Inglês? Português? Geografia? Biologia? Qualquer um destes assuntos pode ter uma abordagem diferente que faz uso de vídeos, gráficos, sons, animações, música, jogos nos quais o aluno interage com um programa de computador. O que pode ser mais participatório do que isso?

But reading, serious reading, close reading, reading of the sort that I still teach in a department of English, cannot tolerate such superficial engagement. Surface contact with the text results in failure, and so it should.

E exatamente como você espera motivar seus alunos a lerem desse jeito? Ou pior, como é que você espera forçá-los a ler desse jeito na sua ausência, quando eles estiverem sozinhos em casa?

A French professor of dromology (the study of speed) has pointed out that ours is the first civilisation in history which has a speed as its absolute. All the same, Einstein knew that a certain slowness was often required for learning and thought.

Sua geração é mais lenta que a geração de hoje. Você, como professor, só teria a ganhar se reconhecesse isto. Um texto pode, de fato, impor seu próprio ritmo ao leitor. Isso é uma coisa. Outra coisa é você querer impor o seu ritmo às crianças de hoje. Elas vão te mandar ir catar coquinho. Ou vão te deixar falando sozinho.

Além disso o que é que esse parágrafo (A French… ) tem a ver com computadores e gadgets? Você está, por acaso, afirmando que não se pode ler devagar numa tela?

Interessante o exemplo do músico. Interessante porque totalmente inapropriado. Exatamente um caso onde um livro com um texto não ajuda.

E no parágrafo seguinte ainda continua trocando os pés pelas mãos. Os exemplos citados não têm absolutamente nada a ver com o uso de computadores.

And yet, however central the computer might have become in our lives, in a literary education, the book remains our main technological tool, and none of us should be bullied into apologising about the fact. The book represents one of the greatest technological innovations in history, and its fitness for its task, its versatility, its convenience, mean that it will surely continue well into the future.

Concordo com o fato de que o livro é versátil e conveniente. Mas afirmo a utilidade do livro sem desprezar a tecnologia do computador, que você desmerece. E discordo de um aspecto: pra mim, a maior inovação tecnológica do homem foi a invenção da escrita. Não necessariamente o livro. E você está esquecendo que o computador, na maior parte do tempo, manipula textos. Essa dicotomia livro-computador existe mais na sua cabeça do que em qualquer outro lugar.

O exemplo da apresentação de powerpoint é ridículo. Numa apresentação com esse recurso o aluno não pode interromper o professor? E quem foi que sugeriu que uma apresentação de powerpoint substituiria uma aula onde todos têm seu livro-texto? Não posso usar os dois? E seria muito diferente se o livro estivesse estocado num laptop na frente do aluno em formato pdf?

Eu uso o computador em aula o tempo todo. Leio os textos e livros diretamente do meu computador. É rápido, fácil e não tem nada disso que você está falando.

In terms of teaching literature, there is also a limit to the usefulness of any visual material.

Um limite ainda maior: não há como contornar um professor limítrofe.

Many of the most vehement advocates of new technology in education, as an alternative to books, are frankly advocating a novel species of illiteracy.

E de “computer illiteracy” já ouviu falar?

Esse artigo está é com cara de que foi escrito por aquele tipo de pessoa que tem medo de tecnologia.


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