degustação na livraria

11 07 2008

Uma volta pela Livraria Cultura no conjunto Nacional é uma aula sobre como o Brasil vai mal das pernas também na área de publicação, embora os negócios, aparentemente, vão muito bem, obrigado. Passei uma noite na seção de filosofia e antropologia e fiquei abismada com a quantidade de porcaria publicada.

A primeira coisa que chama a atenção numa livraria brasileira é o cuidado que as editoras têm com a aparência dos livros. Coisas como o design da capa, a qualidade do papel, o tipo de fonte.

Existem muitos tipos de livros. Há aqueles que existem para serem saboreados com os sentidos. Têm mais fotos e ilustrações que texto. Desenhos, há aos montes. Você sente a textura do papel com a ponta dos dedos. Chega o papel perto do nariz pra sentir  cheiro da combinação tinta e papel. Boa parte do prazer está em folhear estes livros. E há os livros cujo forte são as idéias que apresentam. Nada de ilustrações. Nem um mísero desenhinho. O brasileiro não gosta de livros de jeito nenhum, mas odeia especialmente este tipo. Ainda dá pra encarar os que têm figurinhas. Mas sem elas, aí é pedir muito.

Os livros de filosofia e antropologia se encaixam nessa segunda categoria. A dos chatinhos. Então as editoras, querendo expandir sua clientela para além dos universitários duros – que, todo mundo sabe, vivem mesmo é de xerox -, investem pesadamente na aparência do livro. Os livros são lindos. As capas são magníficas. O cheiro da tinta no papel faz a gente querer lamber a folha (ou talvez eu esteja sozinha nessa). A fonte escolhida é diferente – até distrai a atenção do que está escrito. Mas e as idéias por trás das palavras? Uma frustração a cada frase.

Coisa mais fácil publicar um livro no Brasil. E lembrando de uma conversa na comunidade dos tradutores do Orkut que li hoje mesmo, aqui, onde se publica muita porcaria, publica-se, também, muita coisa traduzida porcamente, viu? Ter um livro publicado não é atestado de competência.

Agora quando vou na Cultura, nem leio mais a orelha do livro pra decidir se compro ou não. Sinto o livro com a ponta dos dedos, dou uma pancadinha e cheiro o papel. Então olho pros dois lados e dou uma lambidinha numa página do meio.


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One response

12 07 2008
karinasurya

Acho que seu post tem muito a ver com a frase de nietzsche que foi tema de um post meu..

“Nunca lerei as obras de escritores cujo intento tenha sido escrever um livro; mas sim as daqueles cujos pensamentos, por si mesmos, tenham formado um livro.”

Com certeza já cai no jogo deles, comprar livro pela capa.. por isso vivo em sebos, comprando livros velhos por R$5,00… já encontrei coisas maravilhosas, é só encapar bonitinho, colocar uns ‘durex’ ali e aqui…só não dá pra lamber =/

[]’s

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