uma visita ao sebo

16 07 2008

Passei a tarde de ontem no Sebo do Messias na Sé. E pra quem gosta de livros, o lugar é um paraíso. Tá certo que tinha um violinista tocando sem parar lá. E como música me distrai incrivelmente, saí de lá esgotada. Aliás, música ao vivo num sebo? Pra quê mesmo?

Uma coisa que eles certamente podiam fazer é colocar umas cadeiras lá. Tudo bem, admito que uso a Cultura descaradamente como biblioteca, mas sebo é diferente porque a gente sempre sai com um livrinho. É impossível ir num sebo bom como aquele e não sair com alguma coisa.

O que eu comprei? Bom, apenas coisas pra minha pesquisa sobre música e pentecostalismo em São Paulo. Mas como eu gosto do que estou estudando, fiquei felicíssima.

Eu defini que iria estudar o Brasil há bem pouco tempo – coisa de dois anos, a mesma época que decidi mudar de teoria pra etnomusicologia. Então, minhas leituras dos pensadores brasileiros estão todas defasadas. Algumas coisas li quando estava na faculdade de economia (que nunca terminei), mas não me lembro de quase nada. Por isso estou voltando aos clássicos.

De imediato, vou atacar os três principais: “Raízes do Brazil” de Sérgio Buarque de Holanda, “Formação do Brasil Contemporâneo” de Caio Prado Júnior e “Casa Grande & Senzala” de Gilberto Freyre.  

Agora, olha que legal: achei edições ótimas dos dois primeiros em excelente estado e bem mais em conta que as edições novas. O do Freyre vou comprar de uma amiga que comprou recentemente.

Estes livros até que são procurados – acho que estão na lista da bibliografia básica para o concurso de diplomatas do Instituto Rio Branco – então fiquei surpresa em encontrar estas edições (embora, fossem as únicas). Livro bom quando vende aos montes no Brasil é porque está listado em bibliografia de concurso.

Também tem gente que não gosta de livros usados de jeito nenhum, principalmente quem tem rinite. Compreensível. O problema é que se o assunto é Brasil, não há como não recorrer a sebos porque há livros excelentes que não são mais publicados.  

Andar pelos corredores de um sebo sentindo cheiro de livro velho, ficar com as mãos sujas de manuseá-los, passar horas torcendo o pescoço pra direita e pra esquerda pra ler as lombadas – que nunca estão do mesmo lado – lendo tudo em pé. . . E pra quê?

Pra encontrar um livro que pouca gente tem, oras. Este é o fascínio dos sebos. É como uma caça ao tesouro.

Meus outros tesouros, cavados no Sebo do Messias foram os livros “O Messianismo no Brasil e no Mundo” de Maria Isaura Pereira de Queiroz e “Bandeirantes e Pioneiros” de Vianna Moog, que pretendo devorar logo.

Agora com licença que eu vou ter uma conversa com o falecido Sérgio Buarque.

 


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2 responses

27 08 2008
Magdiel Cruz

Olá, tudo bem! eu sou o violinista do sebo do messias, sempre procuro na internet comentarios, para ver o que o publico fala a meu respeito. que pena que não que minha música não te agradou.

28 08 2008
Ieda

Como eu disse, Magdiel, não achei que um sebo é o lugar pra música ao vivo. E isso não tem nada a ver com a sua performance. Só achei que o lugar não era adequado.

Eu também sou musicista e fico prestando atenção na música. Então tive que ficar dividindo minha atenção entre seu violino e a minha procura por livros. Fiquei cansadíssima e não consegui fazer nenhuma das duas coisas direito.

Mas talvez eu seja mesmo uma exceção e a maioria das pessoas gosta. Te desejo sucesso, em todo caso.

Abraço

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