músicas que eu gosto (I)

1 11 2008

Eu me encho fácil de música puramente tonal. Depois de um tempo, minha atenção começa a se fixar em outras coisas: poesia da letra, estrutura rítmica, textura da música, combinação de timbres (incluo aqui a qualidade da mixagem), forma (seqüência, desenvolvimento e repetições), etc. Quando não encontro alguma coisa interessante nesses aspectos, acho difícil me concentrar e acabo me dispersando. Altura é o que me chama atenção em primeiro lugar. Carrego um bonde por uma melodia bem feita acompanhada por uma boa harmonização.

Isso explica porque eu gosto de coisas tão diferentes, mas só consigo absorver muito de um só tipo de música: jazz, principalmente depois do bebop.

Tenho certeza que a “história de escuta” de cada pessoa influencia, e muito, o gosto. Comigo não é diferente.

Comecei ouvindo jazz porque comecei a tocar sax aos 11 anos. Então me concentrar na linha melódica do solista que improvisa é mais que um hábito, é um vício mesmo.

Eu amo o timbre do sax tenor, então no caso de solistas como Coltrane, Sonny Rollins e outros não tão antigos como Michael Brecker, a música prende minha atenção como poucos gêneros conseguem fazer.

Descobri a música brasileira bem tarde, depois de me acostumar a ouvir jazz. E o que me atraiu foi a letra. Acho que há umas coisas lindíssimas escritas por Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Edu Lobo e alguns outros. Além disso, muitos desses são excelentes melodistas.

Descobrir Tom Jobim foi outro marco. Nele eu gosto de tudo: melodias, letras, harmonias. Ele tem uma jóias que não são assim tão conhecidas. “Chovendo na Roseira” é uma das que eu mais gosto. Aquela interrupção do compasso 6/8 em dois momentos da música é coisa de gênio.

Mas tenho dificuldade em ouvir gente cantando mal. Então nunca curti as gravações de compositores que desafinam; às vezes simplesmente não gosto do timbre. Tom Jobim, Chico Buarque, Ivan Lins, Milton… não gosto de ouvir cantando, não.

Gosto quando boas cantoras regravam os “clássicos” da MPB (ou simplesmente coisas mais velhas). Um exemplo: cantoras como Gal Costa não entendem muito de música, mas contratam um bom produtor que cuida de tudo. O resultado pode ser surpreendentemente bom, como o que fez Morelembaum em “Mina D’Agua do Meu Canto”.

Gosto muito de pianistas de jazz. Acho que é o que eu mais ouço: Bil Evans, Herbie Hancock, Keith Jarrett, Chick Corea, alguma coisa de Gonzalo Rubalcaba e Lyle Mays. E claro, o meu favorito, Brad Mehldau.

E acho que por causa da proximidade com o jazz, gosto da obra pra piano de Debussy e Eric Satie. Gosto também quando o compositor rouba idéias de tradições não ocidentais como Ravel, o próprio Debussy e Bártok. Todos eles brincam com escalas não diatônicas, o que eu gosto muito.

Gosto de outras coisas, mas outra hora eu falo mais disso.


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3 11 2008
dani.boo

🙂

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