Dalyrmple e os sebos

4 11 2008

Theodore Dalyrmple falando em “Bibliophilia and Biblioclasm” de sebos e livros e porque ele prefere comprá-los usados, de preferência quando os donos escrevem alguma coisa neles.

Ele começa falando de donos de sebo e cita duas histórias engraçadas:

As a long-time habitué of second-hand bookshops, I should say that this is a fairly typical attitude of booksellers to buyers, whom they regard largely with contempt. This contempt arises not only from the character of book-buyers, but from their tastes. I knew a bookseller, a communist of the Enver Hoxha faction, who was constantly frustrated and irritated that the elderly black ladies of the area in which he had his shop were always asking for Bibles rather than for revolutionary literature that he thought that they, as the most downtrodden of the downtrodden, ought to have been reading. Another bookshop owner of my acquaintance so hated his customers that he would sometimes play Schoenberg very loudly to clear the shop of them. It was a very effective technique.

Schoenberg pra afugentar os clientes é ótimo. Muito boa.

Mas por que será que donos de sebo são mal-humorados e ranzinzas? Eu lembro que, no último inverno, visitei um sebo na Xavier de Toledo em São Paulo onde o dono era de uma grosseria impressionante. Eu estava sem o cartão e pedi pra que ele reservasse uns livros, que eu tinha achado depois de algumas horas procurando nas prateleiras. Nenhuma raridade. Ele se recusou a reservá-los por um dia. “Se alguém vier e se interessar, vou vender”, respondeu mal-humorado. Eu resolvi arriscar e no dia seguinte, achei os mesmos livros num outro sebo pela metade do preço.

Dalyrmple também fala dos prazeres de se gastar tempo no sebo procurando uma coisa que não se sabe direito qual é:

But the pleasure of second-hand bookshops is not only in finding what you want: it is in leafing through many volumes and alighting upon something that you never knew existed, that fascinates you and therefore widens your horizons in a completely unanticipated way, helping you to make the most unexpected connections.

(…)

For the last twelve months or so, I have taken to inscribing all the books I read, in a bid no doubt to outlast my own death.

Eu também tenho mania de rabiscar meus livros. Não necessariamente escrevendo meu nome nas primeiras páginas, mas comentando alguma coisa nas margens ou grifando as partes que gosto.

Mas não penso na posteridade. Quando eu me for de vez deste mundo, é bem provável que eles vão é acabar num outro sebo, nas mãos de um outro velho ranzinza.


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