“a piece of music”

5 01 2009

Gosto muito da expressão “a piece of music” do inglês. Sem equivalente no português porque na língua de Shakespeare, “piece” também significa “pedaço”.

Imagine um “pedaço de música”, uma parte que foi cortada de um todo que nós não somos capazes de compreender. Um pedaço que se junta a outro pedaço para adquirir sentido. Sentido que nunca é obtido completamente, mas que fica mais manejável quando estes pedaços são relacionados a um contexto maior.

Pense em música como algo grande, atemporal, que, vez ou outra, alguém de talento consegue dar forma, fechar numa estrutura com início, meio e fim no que convencionamos chamar de canção, sinfonia, movimento, ópera, vinheta, sonata, cantiga de roda ou outra coisa.

Aquela canção maravilhosa que te emociona e faz você pensar na beleza das coisas não encerra a definição de música. É só um naco dessa experiência tão maior e tão difícil de definir, que chamamos de “curtir” música.

Essa idéia também me deixa feliz porque me faz pensar que o que eu vejo como o melhor da música é, na verdade, somente uma fração, um quinhãozinho do que existe pra ser experimentado e que há uma infinidade de pedaços ainda por serem descobertos.

Não é esta uma visão mais humilde da nossa relação com a música? Eu acho.





Aubade (Philip Larkin)

9 10 2008

Pra te animar um pouco. E observe como ele define religião.

I work all day, and get half-drunk at night.
Waking at four to soundless dark, I stare.
In time the curtain-edges will grow light.
Till then I see what’s really always there:
Unresting death, a whole day nearer now,
Making all thought impossible but how
And where and when I shall myself die.
Arid interrogation: yet the dread
Of dying, and being dead,
Flashes afresh to hold and horrify.
The mind blanks at the glare. Not in remorse
– The good not done, the love not given, time
Torn off unused – nor wretchedly because
An only life can take so long to climb
Clear of its wrong beginnings, and may never;
But at the total emptiness for ever,
The sure extinction that we travel to
And shall be lost in always. Not to be here,
Not to be anywhere,
And soon; nothing more terrible, nothing more true.

This is a special way of being afraid
No trick dispels. Religion used to try,
That vast, moth-eaten musical brocade
Created to pretend we never die,
And specious stuff that says No rational being
Can fear a thing it will not feel, not seeing
That this is what we fear – no sight, no sound,
No touch or taste or smell, nothing to think with,
Nothing to love or link with,
The anasthetic from which none come round.

And so it stays just on the edge of vision,
A small, unfocused blur, a standing chill
That slows each impulse down to indecision.
Most things may never happen: this one will,
And realisation of it rages out
In furnace-fear when we are caught without
People or drink. Courage is no good:
It means not scaring others. Being brave
Lets no one off the grave.
Death is no different whined at than withstood.

Slowly light strengthens, and the room takes shape.
It stands plain as a wardrobe, what we know,
Have always known, know that we can’t escape,
Yet can’t accept. One side will have to go.
Meanwhile telephones crouch, getting ready to ring
In locked-up offices, and all the uncaring
Intricate rented world begins to rouse.
The sky is white as clay, with no sun.
Work has to be done.
Postmen like doctors go from house to house.





etymology

13 07 2008

Maybe in order to understand mankind, we have to look at the word itself: “Mankind”. Basically, it’s made up of two separate words – “mank” and “ind”. What do these words mean ? It’s a mystery, and that’s why so is mankind.

Jack Handey





Dicta & Contradicta

10 07 2008

Estou lendo “Dicta & Contradicta”, uma revista que foi lançada agora em junho no Brasil.
Comprei o primeiro volume ontem e gostei do que li até agora (são 210 páginas). Tive que pedir em outras lojas da Cultura porque está se esgotando rápido.

Estou lendo aos poucos, saboreando os textos bem escritos (com colaboradores também de Portugal), entre as minhas leituras pra pesquisa e pro exame em setembro.

Trata-se de uma publicação sobre filosofia, literatura, arte, essas coisas. A idéia é lançar o segundo volume em seis meses, o que já mostra cuidado da parte dos editores.

Não sei quanto a vocês, mas me cansei de abrir uma revista desse tipo, publicada no Brasil, e ler de novo sobre Marx, sobre Cuba, sobre Guevara (estômago embrulhando…).
Foi um alívio não ver nada disso até agora.

Dê uma olhada no blog da revista.

Recomendo.





viajar…

8 05 2008

To know what to leave out and what to put in; just where and just how, ah, that is to have been educated in the knowledge of simplicity.

Frank Lloyd Wright





aprenda a pensar

26 03 2008

Continuando com a série auto-ajuda do blog, algumas dicas legais pra quem quer melhorar. O autor é Ed Boyden.

Traduzi pra você:

1. Procure sintetizar suas idéias constantemente. Jamais leia de forma passiva. Anote, molde, pense e sintetize enquanto lê, até mesmo quando estiver lendo o que você considera algo introdutório. Desta forma, você sempre concentrará esforços no sentido de compreender coisas numa determinação precisa o suficiente para permitir que você seja criativo.

2. Aprenda a aprender (rapidamente). Um dos talentos mais importantes para o século XXI é a capacidade de aprender quase qualquer coisa imediatamente. Seja capaz de conceber modelos preliminares de idéias. Saiba como seu cérebro funciona.

3. Trabalhe na ordem inversa, a partir do seu objetivo. De outro modo, você talvez nunca o alcance. Se você trabalha voltado para o futuro, poderá eventualmente criar algo significativo – ou não. Se trabalhar na ordem inversa, então pelo menos direcionou seu esforço para alguma coisa que era importante pra você.

4. Sempre tenha um plano a longo prazo. Mesmo que você o modifique todos os dias. O simples ato de traçar um plano já é válido. E mesmo que você o corrija com freqüência, pode ter certeza de que terá aprendido algo.

5. Faça mapas de eventualidades. Faça um diagrama de todas as coisas que você precisa fazer numa folha grande de papel e descubra quais delas dependem de outras coisas. Então procure aquelas que não dependem de nenhuma outra, mas que possuem o maior número de dependentes; termine estas primeiro.

6. Trabalhe em conjunto.

7. Cometa erros de forma rápida. Você pode se atrapalhar todo na primeira tentativa, mas seja rápido e avance. Anote o que o induziu ao erro para que você aprenda a reconhecê-lo e mexa-se. Tire os erros do caminho.

8. À medida que desenvolve suas habilidades, anote os protocolos com melhores resultados. Dessa forma, você pode repetir o que fez e fazer disso uma rotina. Torne instintivo o que é um controle consciente.

9. Documente tudo de maneira obsessiva. Se você não registrar, talvez nunca chegue a causar impacto no mundo. Boa parte do processo criativo é aprender a ver as coisas de maneira apropriada. A maioria das descobertas cientificas mais significativas aconteceu de modo inesperado, mas se você não documentar e digerir cada observação e aprender a confiar no que seus olhos vêem, jamais saberá quando está diante de uma surpresa assim.

10. Simplifique. Se a coisa parece difícil de executar, então é porque provavelmente é mesmo. Se você tem como gastar dois dias pensando em como fazê-la 10 vezes mais simples, faça isso. Vai funcionar melhor, será mais confiável e terá um impacto maior no mundo. E aprenda; ainda que seja para descobrir o que deu errado.





pra que estudar humanidades?

9 01 2008

O melhor desta discussão sobre a utilidade do ensino das ciências humanas vem depois, nas reações ao texto. Os comentários – numerosos – mostram pontos de vista interessantíssimos a respeito do assunto e são escritos por gente que ensina na área de humanas.

Mas critico este comentário do autor:

Teachers of literature and philosophy are competent in a subject, not in a ministry. It is not the business of the humanities to save us, no more than it is their business to bring revenue to a state or a university. What then do they do? They don’t do anything, if by “do” is meant bring about effects in the world. And if they don’t bring about effects in the world they cannot be justified except in relation to the pleasure they give to those who enjoy them.

Ele diz que o ensino de literatura e filosofia não traz conseqüências ao mundo além do prazer pessoal de usufruí-los? Será que eu entendi errado? Que idéia estapafúrdia.

Muitos dos comentários também rebatem essa idéia do autor. Algumas respostas dos comentários:

“The correct response when someone condescendingly asks you about the value of the humanities is simply to say to them “If you need to ask that question, then you obviously don’t understand enough to be discussing the topic in the first place.”

“The most unique features of being human are the ability to form sound judgments in our conduct and our ability to communicate effectively. To a very large extent, study of the humanities is indispensable to the development of those abilities.

Perhaps, if some of our national leaders had done their humanities homework, our present situation would be substantially better than it is.”

“The essay is devoted to the idea that the humanities have intrinsic rather than instrumental good, but if they are valued because of the pleasure they bring to those who practice them, that is treating them as an instrumental good – a means to pleasure. It is the difference between the aesthetic approach – beauty for beauty’s sake, and the utilitarian approach – beauty for the sake of pleasure.

For myself, some of the pleasure that comes from engaging in the study and teaching of humanities comes from the thought that what I am studying and teaching is intrinsically worthwhile: if it were good as a means to my pleasure, it would not be quite so pleasant.”